domingo, 28 de novembro de 2010

Triângulo Escaleno

Hoje o meu post tem como base 3 premissas completamente distintas que apontei nas últimas 2 semanas, que a princípio seriam ideias para posts separados, mas com receio de não ter pano suficiente para mangas isoladas, resolvi escrever por este caminho "trifurcado". Começo pelo cheiro a inverno. Dei por mim a inspirar, há uns dias, à janela da varanda, e por momentos senti-me bem, senti-me nostálgico. Tenho e tive na altura grandes dificuldades para caracterizar aquele cheiro para além das sensações, só me ocorre que era um cheiro fresco (Eureka Muras). E pensei nos cheiros em geral, talvez o olfacto seja um dos sentidos mais desvalorizados. Eu pessoalmente nunca o valorizei muito, mas ultimamente dou por mim a ter sensações fortes e positivas perante determinado cheiro. No momento em que cheirei o inverno seco e gélido, senti-me vivo, senti vontade, de criar, ser e desfrutar. Tive uma daquelas sensações que se podem descrever com cem palavras, mas no momento não pensei em nenhuma.





Em segundo lugar, o que me invadiu a mente sob a forma de divagação, ao ver uma

série, foi a fácil comoção que sinto perante actos de bondade. E não é só em séries ou filmes, até em jogos de futebol quando sou presenteado com momentos raros de fair-play evidente me emociono ligeiramente, o que pode ser considerado um bocado efeminado em algumas "culturas", noutras profusão de sensibilidade, e por fim apenas bom coração.





Encerro este post com a referência ao livro Guerra e Paz do grande Lev Tolstoi. Comemora-se agora, 100 anos desde que o escritor russo desapareceu e deixou bastante mais probre este mundo na minha humilde e suspeita opinião, pois trata-se do meu escritor preferido, tratando-se também da minha obra literária preferida entre todas as que li até hoje. Este derradeiro pensamento, surgiu ao ler a revista LER, passe a redundância, com um artigo que "celebrava" Tolstoi, e o autor do artigo escrevia com tal
paixão, que me identifiquei logo com ele. O crítico literário fez então uma sinopse acerca da obra mais emblemática de Tolstoi passando em revista algumas das personagens e momentos do livro, transportando-me para reminiscências quase
místicas. Por ser um livro (que são 4 tomos) de 1800 páginas, quase que se pode
dizer que é uma "série" se estabelecermos uma analogia da literatura
com o cinema\televisão. Portanto, e naturalmente, é um livro demorado de se
ler, mas essa demora tem pontos manifestamente positivos. Eu demorei vários
meses a acabá-lo. Durante esses meses acabei por ficar intimamente ligado às
várias personagens e nunca me custou tanto deixar um livro para trás. É um
grande livro em todas as acepções da palavra.





4 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Não sei se os problemas que tive hoje para postar foram isolados, ou se é algum problema do meu novo explorer que é uma versao beta, foi uma luta, só deu para publicar de uma determinada forma e depois ficou tudo marado como se atesta aí em algumas linhas que passaram para baixo, e tive que editar umas 3 ou 4 vezes para não ficar tudo assim, e para editar tinha que criar sempre um post novo porque não conseguia fazer save depois de editar o post já postado :z

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  3. Tal como disseste e bem,cada uma das permissas teria potencial suficiente para ser um post isolado, caso optasses por aprofundar cada um dos temas à tua maneira.

    Gostei evidentemente mais da primeira e segunda parte,dado o seu demarcado cunho pessoal. A tua perspectiva e pensamentos são de uma sensibilidade positiva, quer esta seja considerada "efeminada" ou não pelos demais, para mim são sempre um deleite usufruir delas.

    E penso que é isso mesmo que é pretendido aqui, partilhar a simplicidade de pensamentos e ideias que por vezes somos assolados no nosso dia a dia. Coisas que não damos importância normalmente, mas que sem razão aparente, em determinada circunstância nos deixam a pensar e sentir, como até então nunca antes teriamos pensado sequer vir a algum dia problematizar.

    Quantas vezes, por exemplo, passo pelo cheiro da relva molhada e sou transportado para épocas em que corria alegremente sem pensar em qualquer consequência nos meus actos ao fechar simplesmente uma porta, nem tão pouco o que seria o dia de amanhã.

    Era igual,sempre bom.

    Hoje o peso da idade e experiencia faz-me sentir saudade desse outro eu, tão inocente quanto inconsequente.
    A memória sensorial e, neste caso especifico a olfactiva, é que me assombra mais sistemáticamente e de uma forma talvez menos controlável,digamos assim.


    Os actos de bondade, sacrificio e comiseração em mim também têm provavelmente um efeito semelhante ao que descreves, um "nó na garganta" mas ao mesmo tempo um sorriso nos lábios que a satisfação de saber que o amor pelo próximo e pessoas com bom coração são uma realidade, ou podiam ser.
    Estas sensações,agora que penso nisso, acabam por vir um pouco em contraste com as injustiças, que me deixam à mesma com esse conhecido "nó", mas que interiormente me deixam revoltado e com vã vontade de alterar o rumo dos acontecimentos, salvar ou fazer justiça por muito ridiculo que tal pareça...

    Secalhar devia ter ido para super-heroi em vez de ter optado por ser enfermeiro!

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  4. lololol a finalizares com chave de ouro, só assinalar que partilho igualmente da tua revolta quando assisto a injustiças

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