sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Singela homenagem

Antecipo-me à regularidade de lançamento dos posts para hoje, sexta-feira, com uma boa razão. Hoje é dia 29 de Outubro. Se o meu pai fosse vivo faria 63 anos. Não faço ideia se ele estará lá em cima a observar ou a ouvir, mas se está, daqui lhe endereço os meus saudosos parabéns. Quase 3 anos se passaram sobre a sua morte, previsível em certa medida, repentina na essência. A consequência directa da morte é a ausência, ausência essa a que me adaptei (a que fui forçado a adaptar-me). Durante essa adaptação, fugi-te, deixei-te para trás, foi a única maneira que encontrei de lidar com tamanho sofrimento. O problema é que esse tipo de sofrimento é uma gazela, não se consegue fugir por mais que se corra, e, pode-se conseguir enganar a parte consciente da mente, mas as mazelas ficam lá e têm efeitos no dia-a-dia. Portanto, tu tens estado sempre cá, de uma maneira ou de outra, às vezes qual hóspede indesejado. Mas que não restem dúvidas, o meu desejo era que estivesses cá, que tudo não passasse de um terrível pesadelo, daqueles que se confundem com a realidade, no estado sensorial do sonho, mas que são abruptamente interrompidos pelo temor inerente ao pesadelo ou por um ruído exógeno significativo. Penso que uma parte de mim ficará incompleta para sempre, por mais que eu lute contra isso, sinto algo em falta. Por vezes sinto que o meu estado de espírito é bipolar, em consequência disto tudo. Termino esta homenagem cantando o magnífico homem que foste, o ainda melhor pai, e recorrendo a uma expressão proverbial "só se dá o devido valor quando se perde..." . Apesar de não acreditar, espero que um dia nos voltemos a encontrar no céu ou seja lá onde for.

sábado, 23 de outubro de 2010

Sentido

Comecei hoje o dia a pensar nesta palavra. Não sei porquê, apenas talvez tenha sido por mero acaso, como em tantas outras circunstâncias da minha vida onde os meus pequenos neurónios se acendem como lâmpadas e me iluminam a mente com estes peculiares entreténs.
Ou talvez tenha tido algum sentido e porventura de alguma forma também eu o tenha sentido que fazia sentido sentir esta curiosidade e disseca-la.
Confuso? Um pouco mas faz todo o sentido para mim.

É engraçado que a mesma palavra que define um rumo, um ponto de referência através do qual nos guiamos para orientarmos algo na nossa vida, seja morfologicamente igual a uma palavra que revela sentimento, sensações emocionais intrínsecas a um estímulo externo. Ainda mais interessante é se pensarmos que a maioria do sentido que encontramos na vida, apesar de inexplicavelmente é sentido. Ou seja, tomamos determinado rumo, ou julgamos ser o mais certo apenas quando o nosso âmago nos transmite racionalmente que estamos certos na opção que estamos a tomar. Apesar de ter usado a palavra “racional” esta confirmação proveniente do nosso “Eu” mais profundo (que é como quem diz da nossa Alma) de racional nada tem. Metafísico e inexplicável talvez. Como se por acaso, apenas por escassos momentos tivéssemos a percepção do trilho que a Vida nos ergue, bem à frente dos nossos olhos e, imbuídos desta certeza envolvente saltamos e caminhamos decididamente, orgulhosos da tomada de decisão.

Talvez no fundo até não tenhamos escolha alguma e toda esta história do acaso seja apenas um balão de oxigénio que dá sentido a uns e o tira a outros. Apenas sei que ao mesmo tempo que te procurei, tu me achaste. Ou talvez apenas por mera coincidência quando olhaste eu estivesse ali a teu lado, a olhar e a compreender o que dizias, sentias e querias. Talvez tenha sido tudo por acaso, talvez tenha sido sem querer. Talvez fosse previsível ou simplesmente destinado a acontecer…

sábado, 16 de outubro de 2010

Viver

De que interessa?
Se a própria vida tira nos o que a alicerça?
Familia,Amigos,Namoradas,Fantasias,Esperanças...
Sem que eu a impeça?
Tanta dor eu sinto por mim a percorrer
Quando a angústia o meu coração atravessa
Fujo,brinco,rio,disfarço..
Mas que vida dispersa!
Para não sentir?Para não me doer tanto faço...
Por isso talvez eu peça
a minha verdade e não a de que me falam
porque da boca para fora tudo se diz mas nada se faz.
E nada concluo.
De que interessa a dor que a vida me traz?
No final talvez eu a mereça...
Se a este eterno designio lhe apraz