Caminho vagarosamente por ruas abertas olhando o céu. Procuro timidamente respostas, apesar do disfarce que um olhar profundo e uma postura fria escondem satisfatóriamente. Pareço confiante e seguro mas estou só. Para me completar ambiciono simplesmente uma cumplicidade de toque e de olhar. Sinto a falta daquele inconfundível calor no coração que nos faz ter um brilho luzidio nos olhos, um sorriso nos lábios e termos a sensação de felicidade a transbordar misturado com uma insegurança que nos fascina e nos faz sentir vivos. Falta me o cheiro a paixão, aquele odor que não sai depois de tomar banho, segue-nos e alimenta-nos o corpo durante o dia, que por sua vez espera ansiosamente por mais.Preciso dar, entregar, desguarnecer. No entanto, no fim, fica sempre apenas a sensação de "dever cumprido", e um vazio que o esforço me obriga a manter. O "valer a pena" é assim um mero exercício relfexivo individual, ao qual dou importância diferente consoante a fase pela qual estou a passar, tal como a noção do certo e errado. É ridiculo prender-me à sensação de "dever cumprido", talvez seja para alimentar a ilusão de heroi ou principe encantado, ou apenas por cobardemente ambicionar dormir descansado à noite, sem nenhum peso na minha consciência. Mas apenas a sensação de obrigação é satisfeita, nunca a de prazer ou satisfação, por isso acabo por nunca dormir bem de qualquer das formas...
Complicado. Não vejo a hora de desatar estes pensamentos e dar uma simples laçada para andar confiante de quem sou.
Confuso. Contradigo-me e falho. Actuo e penso de formas díspares e diferentes, apesar de aparentar e promover estabilidade e segurança.
Cansado. Do mesmo, acontecimentos seguidos numa linha recta, sem pausas, os quais não consigo valorizar de uma forma justa e saudável. Não pela falta de vontade, sensibilidade ou inteligência mas pela impotência emocional de que padeço.
Mas necessito de ser assim, e desta sensação de "dever cumprido" satisfeita regularmente se procuro ser melhor, fingindo assim no entanto, ser quem não sou. Estou viciado. Grito interiormente diáriamente para não pensar e agir desta forma, mas estou preso a mim, ao que esperam, ás ideias pré-concebidas e juízos de valor que me limitam e pressionam, no passado e presente, que tatuaram a minha personalidade desta forma única e inconfundível.