Caminho vagarosamente por ruas abertas olhando o céu. Procuro timidamente respostas, apesar do disfarce que um olhar profundo e uma postura fria escondem satisfatóriamente. Pareço confiante e seguro mas estou só. Para me completar ambiciono simplesmente uma cumplicidade de toque e de olhar. Sinto a falta daquele inconfundível calor no coração que nos faz ter um brilho luzidio nos olhos, um sorriso nos lábios e termos a sensação de felicidade a transbordar misturado com uma insegurança que nos fascina e nos faz sentir vivos. Falta me o cheiro a paixão, aquele odor que não sai depois de tomar banho, segue-nos e alimenta-nos o corpo durante o dia, que por sua vez espera ansiosamente por mais.sábado, 4 de dezembro de 2010
Raciocínio débil
Caminho vagarosamente por ruas abertas olhando o céu. Procuro timidamente respostas, apesar do disfarce que um olhar profundo e uma postura fria escondem satisfatóriamente. Pareço confiante e seguro mas estou só. Para me completar ambiciono simplesmente uma cumplicidade de toque e de olhar. Sinto a falta daquele inconfundível calor no coração que nos faz ter um brilho luzidio nos olhos, um sorriso nos lábios e termos a sensação de felicidade a transbordar misturado com uma insegurança que nos fascina e nos faz sentir vivos. Falta me o cheiro a paixão, aquele odor que não sai depois de tomar banho, segue-nos e alimenta-nos o corpo durante o dia, que por sua vez espera ansiosamente por mais.domingo, 28 de novembro de 2010
Triângulo Escaleno
Hoje o meu post tem como base 3 premissas completamente distintas que apontei nas últimas 2 semanas, que a princípio seriam ideias para posts separados, mas com receio de não ter pano suficiente para mangas isoladas, resolvi escrever por este caminho "trifurcado". Começo pelo cheiro a inverno. Dei por mim a inspirar, há uns dias, à janela da varanda, e por momentos senti-me bem, senti-me nostálgico. Tenho e tive na altura grandes dificuldades para caracterizar aquele cheiro para além das sensações, só me ocorre que era um cheiro fresco (Eureka Muras). E pensei nos cheiros em geral, talvez o olfacto seja um dos sentidos mais desvalorizados. Eu pessoalmente nunca o valorizei muito, mas ultimamente dou por mim a ter sensações fortes e positivas perante determinado cheiro. No momento em que cheirei o inverno seco e gélido, senti-me vivo, senti vontade, de criar, ser e desfrutar. Tive uma daquelas sensações que se podem descrever com cem palavras, mas no momento não pensei em nenhuma.
Em segundo lugar, o que me invadiu a mente sob a forma de divagação, ao ver uma
série, foi a fácil comoção que sinto perante actos de bondade. E não é só em séries ou filmes, até em jogos de futebol quando sou presenteado com momentos raros de fair-play evidente me emociono ligeiramente, o que pode ser considerado um bocado efeminado em algumas "culturas", noutras profusão de sensibilidade, e por fim apenas bom coração.
Encerro este post com a referência ao livro Guerra e Paz do grande Lev Tolstoi. Comemora-se agora, 100 anos desde que o escritor russo desapareceu e deixou bastante mais probre este mundo na minha humilde e suspeita opinião, pois trata-se do meu escritor preferido, tratando-se também da minha obra literária preferida entre todas as que li até hoje. Este derradeiro pensamento, surgiu ao ler a revista LER, passe a redundância, com um artigo que "celebrava" Tolstoi, e o autor do artigo escrevia com tal
paixão, que me identifiquei logo com ele. O crítico literário fez então uma sinopse acerca da obra mais emblemática de Tolstoi passando em revista algumas das personagens e momentos do livro, transportando-me para reminiscências quase
místicas. Por ser um livro (que são 4 tomos) de 1800 páginas, quase que se pode
dizer que é uma "série" se estabelecermos uma analogia da literatura
com o cinema\televisão. Portanto, e naturalmente, é um livro demorado de se
ler, mas essa demora tem pontos manifestamente positivos. Eu demorei vários
meses a acabá-lo. Durante esses meses acabei por ficar intimamente ligado às
várias personagens e nunca me custou tanto deixar um livro para trás. É um
grande livro em todas as acepções da palavra.
sábado, 20 de novembro de 2010
Sobreviver
temos sempre de lutar
mesmo quando tudo nos é tirado.
Isto não é fácil
quando a dor não se apaga
e a Morte não nos larga.
Olhamos para bem alto
Escondemos a escuridão
“Está tudo bem!”,damos um salto
E assim nos equilibramos em vão.
A dor não te afecta
“Sorri!”e assim se finje a alegria
as emoções tornam-se numa infinita recta
e embora ria
e me esforce para todos os dias levantar
não consigo apenas chorar.
Então apercebo-me “As lembranças k tenho
não são da pessoa que sou!”
Sei de onde venho
Mas não quero saber para onde vou...
sábado, 13 de novembro de 2010
E eis senão quando...
sábado, 6 de novembro de 2010
Prurido
Não sei à quanto tempo vagueio aqui, sozinho e fugidio, observando o mundo à distância, protegido com este manto impenetrável que fui tecendo na minha solidão dia após dia. Talvez me explique o porquê de ter feito isto, pois de certo que me responsabilizo por tê-lo feito.
Gostava que me ouvisses, mas não falo. Devia gritar.
Gostava que me conhecesses e percebesses porque sou e estou assim, mas não falo. Devia gritar.
Gostava que me sentisses, que me tocasses mas, não te procuro, faço o inverso, fujo e escondo. Devia te Amar.
Estou preso nesta armadilha de estar só, de olhar no espelho todos os dias quando me levanto e de sentir o vazio da tua ausência reflectido. Sinto a falta da ânsia de saber que te vou ver, do calor que me davas, preenchendo-me da força necessária a tornar os dias diferentes. Eles não facilitam, cobram me cada milímetro da tua ausência, surgindo a cada esquina da minha memória lembrando-me do fraco que sou. Impiedosamente escutam os murmúrios do meu coração, troçando e rindo descaradamente por saberem que por não estar anestesiado os posso ouvir.
Penso em quem estará contigo aí agora.
Não te conheço. Mas sei quem és ou vais ser. Existes de uma forma inconfundível no meu imaginário e na realidade, és o futuro ou o passado, talvez até mesmo o presente mas, certamente percebes o que escrevo e sinto aqui, em palavras difusas, amargadas de sentimentos complexos.
És parte de mim, a minha cara-metade e, parecida comigo completas-me. Tens uma perspectiva diferente mas compreendes o que faço e porque o faço. Sabes ver para além dos actos, conheces-me só pelo olhar, comunicando de uma forma invisível, intensa e íntima. É isso, íntima. Ligada a mim intimamente como se de um fio de nylon invisível, elástico e inquebrável nos segurasse, a mim, a ti e a nós.
Não me imagino a envelhecer a teu lado, vejo te a viver comigo…
Estou à tua espera.
O toque. Não me cansarei de te sentir, de te inspirar em cada bocadinho da minha pele como se te consumisse por inteira apaixonadamente. E tu a mim, fazendo o tempo parar à nossa volta, não de uma forma lamechas mas sim pura, única e intransmissível.
No teu corpo desnudo deitado sobre a cama imagino os teus longos e sedosos cabelos a cairem sobre o teu pescoço, pedindo um beijo e que te Ame novamente.
Quero te proteger.
És todas as que pintaram de alguma forma o meu coração, as que desejei e as que vão ocupar o teu legítimo lugar até apareceres. Não és nenhuma delas por inteiro, apenas fragmentos seus vivos, curiosos e caprichosos que me agradam e constroem esta ideia que tenho e construo diariamente de ti. Uma mera quimera para me entreter a solidão. É fácil Amar assim, desconhecendo-te à distância.
És algo que nunca terei, não por não existires mas por eu não acreditar que estás aí e que, no mesmo momento que te procure, tu me encontres.
Ver-te desvanecer, faz transparecer o meu sofrimento. E a ferida aumenta.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Singela homenagem
sábado, 23 de outubro de 2010
Sentido
Ou talvez tenha tido algum sentido e porventura de alguma forma também eu o tenha sentido que fazia sentido sentir esta curiosidade e disseca-la.
Confuso? Um pouco mas faz todo o sentido para mim.
É engraçado que a mesma palavra que define um rumo, um ponto de referência através do qual nos guiamos para orientarmos algo na nossa vida, seja morfologicamente igual a uma palavra que revela sentimento, sensações emocionais intrínsecas a um estímulo externo. Ainda mais interessante é se pensarmos que a maioria do sentido que encontramos na vida, apesar de inexplicavelmente é sentido. Ou seja, tomamos determinado rumo, ou julgamos ser o mais certo apenas quando o nosso âmago nos transmite racionalmente que estamos certos na opção que estamos a tomar. Apesar de ter usado a palavra “racional” esta confirmação proveniente do nosso “Eu” mais profundo (que é como quem diz da nossa Alma) de racional nada tem. Metafísico e inexplicável talvez. Como se por acaso, apenas por escassos momentos tivéssemos a percepção do trilho que a Vida nos ergue, bem à frente dos nossos olhos e, imbuídos desta certeza envolvente saltamos e caminhamos decididamente, orgulhosos da tomada de decisão.
Talvez no fundo até não tenhamos escolha alguma e toda esta história do acaso seja apenas um balão de oxigénio que dá sentido a uns e o tira a outros. Apenas sei que ao mesmo tempo que te procurei, tu me achaste. Ou talvez apenas por mera coincidência quando olhaste eu estivesse ali a teu lado, a olhar e a compreender o que dizias, sentias e querias. Talvez tenha sido tudo por acaso, talvez tenha sido sem querer. Talvez fosse previsível ou simplesmente destinado a acontecer…
sábado, 16 de outubro de 2010
Viver
Se a própria vida tira nos o que a alicerça?
Familia,Amigos,Namoradas,Fantasias,Esperanças...
Sem que eu a impeça?
Tanta dor eu sinto por mim a percorrer
Quando a angústia o meu coração atravessa
Fujo,brinco,rio,disfarço..
Mas que vida dispersa!
Para não sentir?Para não me doer tanto faço...
Por isso talvez eu peça
a minha verdade e não a de que me falam
porque da boca para fora tudo se diz mas nada se faz.
E nada concluo.
De que interessa a dor que a vida me traz?
No final talvez eu a mereça...
Se a este eterno designio lhe apraz

